segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Ciclofaixa

Ontem (26/09) foi inaugurada em Ribeirão Preto uma ciclofaixa. O primeiro trecho na cidade na história a permitir acesso exclusivo de bicicletas.
Apesar de ter um cunho apenas esportivo/recreacional (tem apenas 6 km e funciona somente aos domingos entre 7 e 13h), já demonstrou o potencial e a demanda existentes para esse tipo de infraestrutura: presença de gerações de famílias transitando juntas pela cidade naquilo que, para a esmagadora maioria das crianças, era um conceito absolutamente extinto: andar de bicicleta na rua!
E essa ciclofaixa permitiu que isso ocorra novamente.
Além de ser um veículo, um exercício, um instigador de novas relações sociais (não apenas entre aqueles que já se conhecem - pessoas da mesma família que agora têm o que fazer na parte da manhã do domingo, juntas!) mas também entre desconhecidos (pois permite bons encontros, conversar, risadas etc), a ciclofaixa é uma possibilidade para o reencontro dos moradores das cidades com a própria cidade. As ruas e avenidas, novamente, se tornam cidades. São reapropriadas, pois agora passamos mais devagar e de forma muito mais prazerosa por caminhos que, em outros momentos, simplesmente me direcionam apressadamente de casa para o trabalho e coisas do tipo.
Com a faixa, Ribeirão vai se aproximando de outras cidades do mundo e do Brasil, muito lentamente, no reconhecimento do direito dos cidadão por lazer público gratuito, seguro e de qualidade e também pela percepção da bicicleta como alternativa de transporte (o que, em muitos lugares, é uma realidade concretizada).
Fico imaginando a dificuldade dos responsáveis pela idéia de convencer outros para que a faixa fosse de fato implantada. Também, é justo que se reconheça a coragem da prefeita e dos secretários envolvidos.
Agora, cabe à população realmente se apropriar deste espaço e fazer dele um direito: um direito a ser mantido e também ampliado.

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

A pobreza das defesas políticas

O período das eleições tem se mostrado, no mínimo, interessante. Não digo pela lamentável demonstração dos principais candidatos e seus partidos, mas pelo lado da população.
É impressionante a forma como as pessoas passam a se relacionar com seus candidatos. Nunca viram (a maioria) ao vivo e nem nunca conversaram. No entanto, a medida que o pleito se aproxima, os ânimos fervem.
Pessoas defendem seus candidatos como se defendessem a própria vida. Para tal, fazem uso de um mecanismo pobre de endeusamento. Suas escolhas transformam-se em heróis. São santos absolutos e incapazes do pecado. Seus passados são cristalinos, seus presentes límpidos e seus futuros salvadores.
Os opositores? Representantes do diabo e proponetes de tudo o que é ruim.
Quem perde com isso? Todos nós.
A experiência já deveria ter sido suficiente, para quem tem idade para já ter participado de algumas eleições, que a coisa não é bem assim. Sejamos reais! Todos os candidatos e seus aliados, se tiverem suas fichas, meias e cuecas analisadas, entregarão o caixa 2 da moral, onde seus pecados e atentados contra a população estão profundamente guardados. O oposto, da mesma forma, também vale. Temos alguns políticos famosos por suas caras travessuras mas que, também, deixaram algumas coisas positivas. Já pensou se o cara entrasse lá, ficasse 4 anos e SÓ fizesse coisas ruins?
Não quero com isso parecer pessimista. Prefiro realista. Somos todos assim, em maior ou menor grau, é claro.
A quem serve, então, fingirmos que não? Ao próprio candidato, que é transformado em um ícone superpoderoso e que, posteriormente, caso vencedor, não medirá esforços para utilizar-se desse mesmo poder a sua vontade, muitas vezes contra o bem comum, contra o povo, CONTRA VOCÊ.
Assim, continuem votando em seus candidatos (se possível façam uma busca em suas fichas, cuecas e meias), o defendam, mas não o endeusem. Não votem nele porque não tem erros, mas APESAR dos erros (de preferência, saiba bem quais são esses erros e, se forem muitos e pesados, não hesitem em procurar outra opção melhor).
Os candidatos têm que parar de pensar que o povo é imbecil. No entanto, se não somos capazes de reconhecer isso, que ninguém é santo, então, talvez, é porque eles têm razão.