Mesmo quando aceitos e considerados como realmente indicativos de 'desenvolvimento', uma análise dos indicadores econômicos ao longo da história demonstram que a possibilidade de mobilidade ascendente na hierarquia capitalista mundial é um fato muito improvável. O autor Giovanni Arrighi, em seu livro 'A ilusão do desenvolvimento' faz essa demonstração, indicando que, em um mundo dividido em um núcleo orgânico, formado por países desenvolvidos, uma semiperiferia, com países emergentes e a periferia pobre, entre 1938 e 1983, apenas Japão e Itália deixaram a semiperiferia para povoar o núcleo orgânico e Coréia do Sul e Taiwan deixaram a periferia pobre para se ingressarem na semiperiferia. Para os demais países as mudanças não se mostraram significativas, apesar de todos os 'efeitos colaterais' já discutidos.
Esses dados demonstram claramente que mesmo economicamente o 'desenvolvimento' é um conceito e uma referência de análise que não se sustenta. O que vocês pensam sobre isso?
Espaço inspirado pela "práxis" Paulofreireana em que ação e reflexão são constituintes indissociáveis no processo de ser no mundo.
Páginas do Reflexações
terça-feira, 21 de julho de 2009
terça-feira, 14 de julho de 2009
Desenvolvimento - Parte 4
Há vários autores que são críticos acerca da ideologia do desenvolvimento e de seus indicadores. Neste artigo darei visibilidade para um deles, Celso Furtado, fazendo uso de um de seus livros publicados ainda na década de 70, 'O mito do desenvolvimento econômico'. Como o próprio título da obra já aponta, o autor é bastante enfático na crítica que faz ao que considera um mito. Vejamos um trecho, presente também no livro 'Desenvolvimento Sustentável', de José Eli da Veiga:
"Como negar que essa idéia [de desenvolvimento econômico] tem sido de grande utilidade para mobilizar os povos da periferia e levá-los a aceitar enormes sacrifícios, para legitimar a destruição de formas de culturas arcaicas, para explicar e fazer compreender a necessidade de destruir o meio físico, para justificar formas de dependência que reforçam o caráter predatório do sistema produtivo?"
Como é muito bem colocado por Celso Furtado, a reboque dos discursos por democracia, liberdade e principalmente modernidade, está na verdade uma proposta de modo de vida que é ambientalmente insustentável (degrada a natureza), socialmente injusto (beneficia uma parcela muito pequena da população) e individuamente insalubre (pois o indivíduo é onde o 'modo de vida' se recai, gerando problemas de saúde física - desnutrição, hipercaloria, sedentarismo - e mental - síndrome do pânico, depressão e outros transtornos). Apesar de promover visivelmente tudo isso, no entanto, a idéia de 'desenvolvimento' permanece como um lugar sagrado que deve ser mantido intocado e inquestionado, vendendo a percepção de um amanhã melhor e entregando outra coisa, para imediatamente se colocar como a solução para a nova condição que se criou.
"Como negar que essa idéia [de desenvolvimento econômico] tem sido de grande utilidade para mobilizar os povos da periferia e levá-los a aceitar enormes sacrifícios, para legitimar a destruição de formas de culturas arcaicas, para explicar e fazer compreender a necessidade de destruir o meio físico, para justificar formas de dependência que reforçam o caráter predatório do sistema produtivo?"
Como é muito bem colocado por Celso Furtado, a reboque dos discursos por democracia, liberdade e principalmente modernidade, está na verdade uma proposta de modo de vida que é ambientalmente insustentável (degrada a natureza), socialmente injusto (beneficia uma parcela muito pequena da população) e individuamente insalubre (pois o indivíduo é onde o 'modo de vida' se recai, gerando problemas de saúde física - desnutrição, hipercaloria, sedentarismo - e mental - síndrome do pânico, depressão e outros transtornos). Apesar de promover visivelmente tudo isso, no entanto, a idéia de 'desenvolvimento' permanece como um lugar sagrado que deve ser mantido intocado e inquestionado, vendendo a percepção de um amanhã melhor e entregando outra coisa, para imediatamente se colocar como a solução para a nova condição que se criou.
segunda-feira, 29 de junho de 2009
Desenvolvimento - Parte 3
Uma segunda consequência do processo de 'desenvolvimento' é justamente a criação de uma 'corrida', que já se inicia com líderes (os países 'arquétipos' para o desenvolvimento) e 'atrasados' (os demais, mais lentos). A corrida, ironicamente sem fim e portanto sem possibilidade de reais vencedores ou perdedores, no entanto serve para movimentar mentes, corações e braços rumo ao processo de transformação e para justificar todo tipo de barbaridade e violência (contra a cultura, contra o meio físico, contra a saúde, contra o bem comum), agora sob a égide do progresso. Da mesma forma, a pressa em se desenvolver, motivada pela corrida com suposto fim, se torna um excelente mecanismo para impedir as reflexões, a discussão das consequências e o envolvimento da comunidade no processo de tomada de decisões cujas consequências recairão.
O interessante disso tudo é que 'desenvolvimento' acaba se tornando um conceito coringa, pois sua complexidade inibe reflexões mais profundas, seu sentido positivo estimula as esperanças e, no fim das contas, se molda a qualquer conjunto de idéias. Assim, todo mundo acredita no desenvolvimento apesar de não ter a menor idéia do que ele signifique objetivamente. Um prato cheio para os aproveitadores.
Obviamente há críticos sobre essa idéia de desenvolvimento e alguns deles serão discutidos no próximo artigo.
O interessante disso tudo é que 'desenvolvimento' acaba se tornando um conceito coringa, pois sua complexidade inibe reflexões mais profundas, seu sentido positivo estimula as esperanças e, no fim das contas, se molda a qualquer conjunto de idéias. Assim, todo mundo acredita no desenvolvimento apesar de não ter a menor idéia do que ele signifique objetivamente. Um prato cheio para os aproveitadores.
Obviamente há críticos sobre essa idéia de desenvolvimento e alguns deles serão discutidos no próximo artigo.
segunda-feira, 8 de junho de 2009
Desenvolvimento - Parte 2
Desconsiderando-se a questão geográfica do nascimento, quais são os fatores de uma nação que atribuem identidade a seus cidadãos? O que nos diferencia, como brasileiros, dos japoneses ou kenianos?
A identidade de um povo é determinada por diversos e complexos aspectos inerentes a sua origem e história e é expressa, entre outros, por meio da arte, música, danças, estética, culinária, cerimôniais, da língua e sua espiritualidade. Tudo isso, em suma, demonstra o conjunto de valores predominantes em um determinado local.
Assim, brasileiros, japoneses e kenianos, além de terem nascido em lugares diferentes, possuem diferentes origens e histórias e isso se traduz na diversidade cultural encontrada entre eles.
Imaginem então que, a partir de 1949, com nascente ideologia do desenvolvimento (vide Desenvolvimento - Parte 1, abaixo), todos esses e outros aspectos identitários de uma nação deixam de ter valor primordial e passam a uma condição secundária e inferior ao projeto de "desenvolvimento" mundial, pautado e medido simplesmente por meio indicadores econômicos em que, em última análise, aquilo que não produz renda não é mais relevante.
Assim, a corrida pela "modernização" faria com que, de tudo o que participava da formação da identidade de um povo, apenas aqueles aspectos capazes de serem transformados em produtos fossem mantidos. Os demais passariam a ser associados à condição de "primitividade", da qual os países agora deveriam se livrar para se "modernizar". Inicia-se, no mundo, uma busca por ocidentalização, ou seja, por aquelas características que agora identificariam o país como "desenvolvido", e uma espécie de envergonhamento por tudo aquilo que não seja ligado à cultura de consumo: paulatinamente, a própria identidade dos povos passam a significar atraso e a resposta para isso, óbvia, é o consumo da cultura dos "avançados".
Assim, o caipira dá lugar ao 'cawboy' e a liquidação à 'sale', sem perceber que a dependência cultural é a ferida por onde a dependência econômica se instala.
Quais outras consequências do processo de transformação do mundo em uma arena econômica? Dê sua opinião.
A identidade de um povo é determinada por diversos e complexos aspectos inerentes a sua origem e história e é expressa, entre outros, por meio da arte, música, danças, estética, culinária, cerimôniais, da língua e sua espiritualidade. Tudo isso, em suma, demonstra o conjunto de valores predominantes em um determinado local.
Assim, brasileiros, japoneses e kenianos, além de terem nascido em lugares diferentes, possuem diferentes origens e histórias e isso se traduz na diversidade cultural encontrada entre eles.
Imaginem então que, a partir de 1949, com nascente ideologia do desenvolvimento (vide Desenvolvimento - Parte 1, abaixo), todos esses e outros aspectos identitários de uma nação deixam de ter valor primordial e passam a uma condição secundária e inferior ao projeto de "desenvolvimento" mundial, pautado e medido simplesmente por meio indicadores econômicos em que, em última análise, aquilo que não produz renda não é mais relevante.
Assim, a corrida pela "modernização" faria com que, de tudo o que participava da formação da identidade de um povo, apenas aqueles aspectos capazes de serem transformados em produtos fossem mantidos. Os demais passariam a ser associados à condição de "primitividade", da qual os países agora deveriam se livrar para se "modernizar". Inicia-se, no mundo, uma busca por ocidentalização, ou seja, por aquelas características que agora identificariam o país como "desenvolvido", e uma espécie de envergonhamento por tudo aquilo que não seja ligado à cultura de consumo: paulatinamente, a própria identidade dos povos passam a significar atraso e a resposta para isso, óbvia, é o consumo da cultura dos "avançados".
Assim, o caipira dá lugar ao 'cawboy' e a liquidação à 'sale', sem perceber que a dependência cultural é a ferida por onde a dependência econômica se instala.
Quais outras consequências do processo de transformação do mundo em uma arena econômica? Dê sua opinião.
segunda-feira, 25 de maio de 2009
Desenvolvimento - Parte 1
Um dos aspectos mais fundamentais no enfrentamento das questões relacionadas ao meio ambiente é o desafio ao conceito de "desenvolvimento". Arraigado em nossa cultura, a idéia de "desenvolvimento" é extremamente contraditória, pois ao mesmo tempo em que signica uma coisa boa, justifica todo tipo de barbaridade contra as pessoas, o meio físico e etc.
Desde o final da segunda guerra mundial, em 1945, quando iniciaram-se as articulações no sentido de se dar ao mundo o formato que conhecemos hoje, o "desenvolvimento" se tornou o projeto civilizatório global, sendo adotado na maioria dos países do planeta.
A partir de agora o blog "Reflexações Ambientais" iniciará uma série de artigos que abordarão um pouco das origens e história do desenvolvimento e também suas consequências e contradições.
O conceito de desenvolvimento, e portanto de subdesenvolvimento, foi cunhado pelo então recém eleito presidente dos Estados Unidos, Harry Truman, no dia 20 de Janeiro de 1949. Nessa data, em seu discurso de posse, o presidente colocou pela primeira vez na história que o mundo era formado por dois tipos de países, desenvolvidos e subdesenvolvidos, condições medidas exclusivamente pelos indicadores econômicos Produto Interno Bruto e Renda per Capta. A partir de 1949, portanto, um país desenvolvido seria aquele que tivesse o PIB e a RPC altos.
Essa proposta, empurrada para o mundo pelo contexto em que se dava, é levada para os mais diversos países e se torna o motor civilizatório do ocidente. Assim, os países são estimulados a convergirem suas energias na elevação do PIB e RPC a qualquer custo.
Claramente, o conceito de desenvolvimento nascente, baseado exclusivamente em indicadores econômicos, vai criar, de um lado, uma ideologia que o sustenta até os dias atuais e, do outro, graves consequências, algumas das quais discutidas no próximo artigo.
*Uma excelente leitura sobre o assunto é o livro 'Global Ecology, a new arena of political conflict', de Wolfgang Sachs, Zedbooks, 1995.
Desde o final da segunda guerra mundial, em 1945, quando iniciaram-se as articulações no sentido de se dar ao mundo o formato que conhecemos hoje, o "desenvolvimento" se tornou o projeto civilizatório global, sendo adotado na maioria dos países do planeta.
A partir de agora o blog "Reflexações Ambientais" iniciará uma série de artigos que abordarão um pouco das origens e história do desenvolvimento e também suas consequências e contradições.
O conceito de desenvolvimento, e portanto de subdesenvolvimento, foi cunhado pelo então recém eleito presidente dos Estados Unidos, Harry Truman, no dia 20 de Janeiro de 1949. Nessa data, em seu discurso de posse, o presidente colocou pela primeira vez na história que o mundo era formado por dois tipos de países, desenvolvidos e subdesenvolvidos, condições medidas exclusivamente pelos indicadores econômicos Produto Interno Bruto e Renda per Capta. A partir de 1949, portanto, um país desenvolvido seria aquele que tivesse o PIB e a RPC altos.
Essa proposta, empurrada para o mundo pelo contexto em que se dava, é levada para os mais diversos países e se torna o motor civilizatório do ocidente. Assim, os países são estimulados a convergirem suas energias na elevação do PIB e RPC a qualquer custo.
Claramente, o conceito de desenvolvimento nascente, baseado exclusivamente em indicadores econômicos, vai criar, de um lado, uma ideologia que o sustenta até os dias atuais e, do outro, graves consequências, algumas das quais discutidas no próximo artigo.
*Uma excelente leitura sobre o assunto é o livro 'Global Ecology, a new arena of political conflict', de Wolfgang Sachs, Zedbooks, 1995.
terça-feira, 28 de abril de 2009
Construção de parcerias pela educação
Um dos temas discutidos pelo grupo Vozes Jovens da Educação para o Desenvolvimento Sustentável foi o de construção de parcerias internacionais para a difusão da educação. Na verdade, o tema foi específico de um de seus sub-grupos e foi iniciado com a leitura de alguns trechos de documentos preparatórios para a Conferência Mundial de Educação para o Desenvolvimento Sustentável, realizada em Bonn, na Alemanha, em Abril de 2009.
Durante as discussões virtuais, que envolveram a mim, do Brasil, uma participante da Suíça e participantes da Nova Zelândia, Quênia, Yemen e Zimbabue, um dos aspectos que me chamou a atençã0 foi o fato da documentação oficial estimular a construção de parcerias principalmente entre o "Norte-Sul-Sul" e entre o "Sul-Sul". E as parcerias entre "Norte e Norte?", pensei eu.
Os países do norte não têm nada a aprender entre eles?
Essas questões retomam o último artigo publicado aqui no Reflexações Ambientais que discute a Sustentabilidade de Cabeça para Baixo: embora exista atualmente um reconhecimento, ainda que tímido, dos padrões de consumo do Norte (e das "porções Norte" dentro do Sul) como a principal causa de insustentabilidade do planeta, a documentação oficial sobre programas de educação para o desenvolvimento sustentável mantém o foco no Sul!!!
Para os países do Norte (e também para a porção mais ocidentalizada dos países do Sul), lidar com a insustentabilidade dos padrões de produção vai significar também lidar com algo inerente muito mais sutil e pervasivo nessas sociedades: a cultura de consumo.
Isso significa que a busca pela sustentabilidade vai ter que assumir a questão do combate à cultura de consumo e, nesse ponto, espera-se que países do Norte possam estabelecer parcerias e compartilhar informações, tecnologias e estratégias sobre como estão lidando efetivamente com o assunto. Ou isso, ou continuarão a desviar as atenções das causas da insustentabilidade para o sul, e os problemas não serão resolvidos.
A abordagem sugerida nos documentos oficiais lembra um pouco o paradigma antigo da transferência de tecnologia, informação e recursos para os países do Sul e legitima a idéia de que, fundamentalmente nas questões de educação e sustentabilidade, quem precisa aprender é o Sul.
Durante as discussões virtuais, que envolveram a mim, do Brasil, uma participante da Suíça e participantes da Nova Zelândia, Quênia, Yemen e Zimbabue, um dos aspectos que me chamou a atençã0 foi o fato da documentação oficial estimular a construção de parcerias principalmente entre o "Norte-Sul-Sul" e entre o "Sul-Sul". E as parcerias entre "Norte e Norte?", pensei eu.
Os países do norte não têm nada a aprender entre eles?
Essas questões retomam o último artigo publicado aqui no Reflexações Ambientais que discute a Sustentabilidade de Cabeça para Baixo: embora exista atualmente um reconhecimento, ainda que tímido, dos padrões de consumo do Norte (e das "porções Norte" dentro do Sul) como a principal causa de insustentabilidade do planeta, a documentação oficial sobre programas de educação para o desenvolvimento sustentável mantém o foco no Sul!!!
Para os países do Norte (e também para a porção mais ocidentalizada dos países do Sul), lidar com a insustentabilidade dos padrões de produção vai significar também lidar com algo inerente muito mais sutil e pervasivo nessas sociedades: a cultura de consumo.
Isso significa que a busca pela sustentabilidade vai ter que assumir a questão do combate à cultura de consumo e, nesse ponto, espera-se que países do Norte possam estabelecer parcerias e compartilhar informações, tecnologias e estratégias sobre como estão lidando efetivamente com o assunto. Ou isso, ou continuarão a desviar as atenções das causas da insustentabilidade para o sul, e os problemas não serão resolvidos.
A abordagem sugerida nos documentos oficiais lembra um pouco o paradigma antigo da transferência de tecnologia, informação e recursos para os países do Sul e legitima a idéia de que, fundamentalmente nas questões de educação e sustentabilidade, quem precisa aprender é o Sul.
quarta-feira, 15 de abril de 2009
Virando a sustentabilidade de cabeça para baixo
Um dos aspectos muito presentes nas discussões acerca de sustentabilidade ocorridas durante a Conferência Mundial da Unesco sobre Educação para o Desenvolvimento Sustentável é a questão do combate à pobreza extrema. De fato essa meta, primeira das metas do milênio, carrega consigo a idéia de que a existência da pobreza extrema é um obstáculo para a sustentabilidade. Por mais verdadeira que possa ser, considero que a questão deve ser vista de forma mais crítica do que acontece normalmente. Explico:
O foco dos debates no combate à pobreza, primeiro de tudo, mantém a percepção de que os principais entraves à sustentabilidade estão nos países do hemisfério sul, enquanto que é notoriamente sabido e reconhecido, inclusive pelos representantes dos países "do norte", que isso não é possível, já que estes últimos são, de fato, os grandes consumidores da natureza. Mesmo assim, os olhares e o foco das discussões, apesar de todos os problemas a serem enfrentados no norte, se mantém no sul: mexe-se com um lado do problema enquanto que o outro continua como está. O sul continua com a culpa. E aí a lógica é a mesma: o norte precisa transferir tecnologias e informação e etc. para o sul....
Em segundo lugar, este enfoque mantém também uma percepção de que a pobreza (do sul ou de qualquer lugar) é um fenômeno auto-criado e independente e que portanto a atuação deva se dar "lá" no sul. A pergunta que se levanta então (e que eu expus abertamente nas minhas participações no grupo das "Vozes Jovens" e nos workshops sobre consumo sustentável e formação de professores) é a seguinte: a pobreza extrema não é uma criação da riqueza extrema? Os dois não são intrínsecamente relacionados de forma que quando se cria a segunda automaticamente se cria a primeira ? Desse modo, o combate à pobreza extrema não deveria se dar por meio do combate à riqueza extrema? Não deveria ser o combate à riqueza extrema, ao invés da pobreza extrema, então, a meta do milênio? Não estaríamos nós discutindo a sustentabilidade de cabeça para baixo?
Considero essa posição importante por várias razões: a primeira delas, mais óbvia, de finalmente discutirmos as raízes da pobreza e, ao localizarmos suas origens, de fato podermos atuar para resolver o problema, e não só para atuar; a segunda delas, porque o enfoque na pobreza extrema mantém a riqueza extrema como o horizonte de sucesso para os jovens do mundo, sendo justamente o excesso de consumo o motor da insustentabilidade. Portanto, o enfoque mais aberto no combate à riqueza colaboraria para a sustentabilidade também por trazer uma nova mensagem, a de que a sua busca não deva ser perseguida. Isso tudo parece óbvio, mas mudaria por completo as motivações de vida da grande maioria dos habitantes do planeta. O que vocês acham?
O foco dos debates no combate à pobreza, primeiro de tudo, mantém a percepção de que os principais entraves à sustentabilidade estão nos países do hemisfério sul, enquanto que é notoriamente sabido e reconhecido, inclusive pelos representantes dos países "do norte", que isso não é possível, já que estes últimos são, de fato, os grandes consumidores da natureza. Mesmo assim, os olhares e o foco das discussões, apesar de todos os problemas a serem enfrentados no norte, se mantém no sul: mexe-se com um lado do problema enquanto que o outro continua como está. O sul continua com a culpa. E aí a lógica é a mesma: o norte precisa transferir tecnologias e informação e etc. para o sul....
Em segundo lugar, este enfoque mantém também uma percepção de que a pobreza (do sul ou de qualquer lugar) é um fenômeno auto-criado e independente e que portanto a atuação deva se dar "lá" no sul. A pergunta que se levanta então (e que eu expus abertamente nas minhas participações no grupo das "Vozes Jovens" e nos workshops sobre consumo sustentável e formação de professores) é a seguinte: a pobreza extrema não é uma criação da riqueza extrema? Os dois não são intrínsecamente relacionados de forma que quando se cria a segunda automaticamente se cria a primeira ? Desse modo, o combate à pobreza extrema não deveria se dar por meio do combate à riqueza extrema? Não deveria ser o combate à riqueza extrema, ao invés da pobreza extrema, então, a meta do milênio? Não estaríamos nós discutindo a sustentabilidade de cabeça para baixo?
Considero essa posição importante por várias razões: a primeira delas, mais óbvia, de finalmente discutirmos as raízes da pobreza e, ao localizarmos suas origens, de fato podermos atuar para resolver o problema, e não só para atuar; a segunda delas, porque o enfoque na pobreza extrema mantém a riqueza extrema como o horizonte de sucesso para os jovens do mundo, sendo justamente o excesso de consumo o motor da insustentabilidade. Portanto, o enfoque mais aberto no combate à riqueza colaboraria para a sustentabilidade também por trazer uma nova mensagem, a de que a sua busca não deva ser perseguida. Isso tudo parece óbvio, mas mudaria por completo as motivações de vida da grande maioria dos habitantes do planeta. O que vocês acham?
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